Prisões que não Possuem Grades – Genizah

•18/05/2012 • Deixe um comentário

 

 



Carlos Moreira

“Memórias do Cárcere” é uma obra póstuma de Graciliano Ramos publicada em 1953. Preso na época do “Estado Novo” sob a falsa acusação de ligação com o Partido Comunista, o escritor foi deportado para o Rio de Janeiro, onde permaneceu encarcerado por cerca de dois anos. 

No livro, Graciliano se ocupou em tornar público, “depois de muita hesitação”, acontecimentos da vida na prisão. Escrito dez anos após sua libertação, trás em si uma narrativa amarga, não obstante verdadeira. “Quem dormiu no chão deve lembra-se disto… Escreverá talvez asperezas, mas é delas que a vida é feita: inútil negá-las, contorná-las, envolvê-las em gaze” 


Já li comentários de que pessoas que foram presas, sobretudo injustamente, jamais voltam a ser as mesmas. O cerceamento da liberdade trás impactos tão violentos a psique que o indivíduo não consegue mais se reencontrar com sua essência, impõe-se a um auto-exílio rumo aos porões do ser, acaba soterrado sob densas camadas de sombras e silêncios.
Eu sei que há prisões que possuem grades, e destas é muito difícil escapar. Mas há outros tipos de prisões, que vão para além de impor ao corpo a reclusão ao cubículo ao qual foi confinado. Sim, estas masmorras são imateriais, sem grades, sem paredes, são calabouços que aprisionam não só à vontade, o desejo de liberdade, mas o ser, a alma, a consciência, a paixão e os sonhos.  
É fato que tenho encontrado, no chão da vida, muitas pessoas aprisionadas em tais “labirintos”. É gente que, sem perceber, tornou-se refém de circunstâncias, medos, traumas, sofismas, projeções, “carmas”, manipulações, culpas, vícios psicológicos, e toda sorte de situação que produz auto-engano e que acaba dando forma a uma imagem distorcida de si mesmo, a qual, projetada na “tela da existência”, reproduz um holograma monstrificado de quem enganosamente se pensa ser.
Em meus aconselhamentos pastorais, tenho me deparado com pessoas vivenciando tais dinâmicas. É gente que se tornou refém de marido, de mulher, de sogra, de filhos, tudo pelo estabelecimento de vínculos afetivos adoecidos, que acabam dando ao outro uma espécie de “licença para matar”, e, por assim dizer, produzem, pela via da culpa e do medo, todo tipo de escravidão e subserviência.
Há aqueles que estão presos a fatalismos e determinismos infundados, não raro fruto de comentários maldosos e recorrentes feitos por pessoas próximas, muitos dos quais se enraizaram na “alma” desde a infância. É gente que se sente “assombrada” por um “carma”, conduzida inexoravelmente por um trilho de onde não se pode sair, fadada a parar sempre na mesma “estação”, seguir sempre pelo mesmo caminho.
Também é comum encontrar os que se viciaram psicologicamente no fracasso, que sentem prazer na perda, no sonho frustrado, nas impossibilidades. Trata-se da negatividade alçada ao platô mais profundo do ser, gente cinzenta, sombria, que vive de olhar pelo “retrovisor”, lamentando pelo que passou, ansiando pelo que poderia ter sido, mas não foi…
Não menos danoso é o grupo dos que passaram a viver de uma espécie de “ração”, que esmolam da vida, se acomodaram em ser o que não são, estagnaram a consciência e amordaçaram o pensamento. Pessoas assim deixaram de acreditar no novo, na mudança, em possibilidades outras. Elas se acostumaram à mesmice, ao banal, ao trivial, seguem o fluxo, o curso, a rotina. Estão mortas, mas ainda não foram sepultadas, existem sem ser, sem saber vão, de arrastão em arrastão, vivem de “migalha de pão”, dos restos do ontem e dos fragmentos do hoje.
Finalmente, mas não menos triste, há os que adoeceram ao ponto de dependerem de medicação para viver, os chamados psicotrópicos, os quais se aplicam a distúrbios e doenças tais como ansiedade, depressão nervosa, distúrbio bipolar, psicose, pânico, dentre outras. Neste estágio há muita dor e desânimo, pois além dos sintomas próprios de cada doença, ainda há os efeitos colaterais dos remédios, tão diversos quanto possamos imaginar. Eles, sem pedir permissão, mudam as pessoas: alteram o olhar, o sorriso, os gestos, gostos, apetites e vontades.
Seria pieguismo e irresponsabilidade de minha parte dizer para você que a solução para todas estas coisas está na religião. Tolice afirmar que apenas reunião de oração, jejum e leitura da bíblia vão resolver o problema. Muito menos bizarrices do tipo: sessão do descarrego, culto de “libertação”, de “unção”, do “desencapetamento” total e outras mandingas do meio “evangélico” vão “liberar a benção”. Estas reuniões estão mais para seções espíritas e são destinadas a curar todo e qualquer problema como fossem a “Água Rabelo”, um antigo remédio que se usava para tratar desde verminose até tuberculose. Não, eu não creio que seja assim.
Mas acredito que a cura passa pela experimentação da verdade, ou, como disse Tolstoi: “não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma conseqüência”. Eu creio que a maior parte dos problemas e dores humanas estão associados a não percepção da Verdade, e aqui afirmo Verdade não como paradigma existencial, mas como Caminho a ser caminhado, como experimentação de valores e princípios que mudam o ser, de dentro para fora, aos poucos, pela via da pacificação produzida pela Graça, em Fé e através do Amor, pela ação do Espírito Santo que é capaz de realizar aquilo que nada nem ninguém pode fazer em definitivo: sarar a alma! Sim, pois como disse Jesus: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.
Estou convencido de que há prisões que não possuem grades, mas que aprisionam muito mais do que aquelas que prendem os indivíduos, posto que é mais fácil libertar o corpo do que a alma. Como disse em texto recente “…eu não sei qual foi a porta que eu abri mas, quando dei por mim, já estava aqui! Curioso, também, é que eu não sei como sair; as portas daqui só possuem maçanetas pelo lado de fora! Aqui é todo canto e lugar nenhum”.
Gostaria de te ver livre desta prisão, destas amarras que prendem tua mente, tua alma, teu ser. Sei que só Deus pode te livrar disto tudo, mas esta experiência tem de ser vivida por cada um, a seu tempo e do seu próprio modo. Fiques, então, com o que escreveu Clarice Lispector: “liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”.
Carlos Moreira é coeditor do Genizah

Genizah: Prisões que não Possuem Grades.

A Vida não Espera por Ninguém – Genizah

•18/05/2012 • Deixe um comentário

 

 

Carlos Moreira

“Amanhã; amanhã eu faço.”. Mas amanhã já começou! E mais: daqui a pouco, já terminou, pois amanhã já acontece no hoje, e o hoje começou desde ontem… Tudo está em constate mudança, conectado, faz parte do crochê que emoldura a grande “teia” que é a vida. A única coisa que temos por completo é o agora, o momento, o instante! O mais são partes: restos do ontem, porções do hoje, fragmentos do amanhã.

Vejo as pessoas. Elas pensam que o dia tem 24 horas. Que ilusão, o dia só tem o agora. Você não sabe se no minuto seguinte estará vivo ou morto, portanto, toda cogitação é suposição infrutífera. O futuro ainda está por ser escrito, e ele poderá ser construído de tantas formas diferentes que não adianta lançar-se a pensar sobre nada, isso trará apenas ansiedades e inquietações. Talvez por isso Einstein tenha dito: “nunca penso no futuro, ele chega rápido demais”.
A vida me ensinou a fazer as coisas agora, neste momento. Não deixo para amanhã o que já deveria ter sido feito ontem, pois, na verdade, estou atrasado! Mas nós temos medo do agora porque o agora não espera, não permite hesitação, inseguranças, ele não tolera planos, simulações, o agora tem ser “degustado” neste momento, no tempo em que as coisas estão acontecendo, ou então haveremos de nos conformar com o fato de que ele, nunca, jamais voltará novamente.
Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem”. Marcel Proust. Há coisas que você precisa realizar agora e, normalmente, estas coisas não fazem parte de sua rotina. A rotina escraviza, torna-nos peças de uma engrenagem. Mas creia-me, você precisa quebrar as “regras”, tem de executar aquilo que não está programado, algo que surgiu na sua frente, de repente, motivou o impulso, produziu sensações, gerou o insight, criou o novo.
Há telefonemas que têm que ser dados agora, sentimentos que precisam ser expressos agora, beijos que precisam ser trocados agora, decisões que precisam ser tomadas agora, planos que precisam ser executados agora, nãos que precisam ser ditos agora. Sim, há coisas que não podem esperar, que precisam ser feitas agora, ou então se “calcificam”, tornam-se parte inerte da história, perdem-se entre o quase e o foi-se, entre o talvez e o nada.   
Você conhece a história de Zaqueu, o publicano. As Escrituras não apresentam os detalhes da visita de Jesus à sua casa, apenas narram o fato incomum de um profeta judeu visitar um homem tido como impuro. Eu não sei o que eles conversaram,  apenas os resultados…
Fato é que, após aquele encontro, de forma inusitada, inesperada e mesmo surpreendente, Zaqueu, que era um homem desonesto, que extorquia os habitantes de sua cidade com ágio sobre o imposto cobrado pelos romanos, tomou a decisão de repor quatro vezes aquilo que havia ganhado ilicitamente. Era uma decisão difícil, sobretudo em se tratando de questões financeiras. Some-se a isto o fato de que ele era um homem de “negócios”, devia ser hábil em fazer contas, não realizava nada sem ponderar cuidadosamente, pois, como se diz, “o dinheiro nunca dorme”.   
Mas naquela manhã, exposto às verdades e valores do Reino de Deus, tendo sua alma compungida pelas palavras do Nazareno, sentindo seu íntimo invadido por uma luz que lhe desnudou as entranhas do ser e sua consciência despertada frente aos agravos dos próprios atos, desvendados seus olhos para torná-lo capaz de enxergar sua indignidade, ele não pestanejou, não racionalizou, não pediu para pensar, fazer contas ou conjecturas, agiu conforme lhe pedia o coração, apossou-se do agora e não deixou passar aquele momento, o qual, num único instante, mudou toda sua eternidade, pois disse Jesus: “hoje entrou salvação nesta casa!”.
Sim, Zaqueu não se perdeu nas horas do relógio, não deixou escapar a oportunidade, não permitiu que o “trem” passasse na estação sem que ele embarcasse na grande aventura de viver a vida a partir dos pressupostos do Evangelho, tendo a misericórdia como companheira de jornada e a esperança como alimento que constrói o novo ser.
O que sei é que a vida não espera por ninguém, segue seu curso, faz seus próprios planos, ruma inexorável na direção que lhe está proposta. No fundo, como disse Chaplin, ela “… é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos”. Carpe Diem!
Carlos Moreira é coeditor do Genizah

Genizah.

Rookmaker #palavrantiga

•25/04/2012 • Deixe um comentário

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Vou me lembrar #bandaresgate

•25/04/2012 • Deixe um comentário

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Editora Fiel – Artigo: Alegria

•25/04/2012 • Deixe um comentário

Agrada-te do Senhor, e Ele satisfará os desejos do teu coração. Salmo 37.4

O salmo 37 é um poema sapiencial (de sabedoria; com orientações práticas sobre como Deus quer que vivamos nossa vida) em forma de acróstico. Neste tipo de composição, as linhas ou estrofes iniciam, cada uma, com letras em ordem alfabética. Essa técnica, a exemplo do paralelismo, auxilia na memorização do ensino. [1]

Todo o Salmo 37 mostra a perplexidade de Davi com toda forma de impiedade; trata da adversidade dos justos face a prosperidade dos ímpios. Ensina-nos a como viver no meio dos que odeiam o povo de Deus, e como devemos confiar nossos caminhos a ele.

O verso que abre este texto, e fonte de nossa consideração, fala sobre agradar-se no Senhor, ou seja, ter agrado em; ter prazer em; ter contentamento ou satisfação em;

Este verso fala sobre o resultado de nos agradarmos no Senhor. Fala-nos sobre a verdadeira e pura alegria! A alegria (lat. alacre) é um sentimento nobre. Diz-se da alegria ser um sentimento ou senso de contentamento; de júbilo e exultação; de felicidade íntima ou interior.

Ademais, este versículo é também uma promessa: Agradarmo-nos do Senhor há de satisfazer os desejos de nosso coração.

A questão é: O que é agradar-se do Senhor ? ou como nos agradarmos do Senhor ?

Este é um privilegio somente daqueles que o conhecem. Não podemos nos agradar – ou nos alegrar – com o que ou quem não conhecemos. Conhecer ao Senhor faz-nos desejar parecer mais com ele. Passamos a querer ter comunhão com o Senhor, e nos alegramos em sua presença.

Agradar-se do Senhor, pressupõe, portanto, um conhecimento íntimo dele e de sua obra. Este fato por si só há de gerar deleite em nossas almas.

Ao abrirmos a Escritura, ou ouvirmos a sua mensagem, e, iluminados pelo Espírito Santo, passarmos a conhecer a gloriosa verdade acerca de Deus, de Seu ser, seus atributos, sua vontade, suas obras, haveremos de ter deleite sem igual ! A Fé, meus irmãos, produz alegria em nossos corações.

Supor, portanto, que seguirmos o caminho do Senhor significa em “dolorosas austeridades, melancolias e tristezas” oriundas do fato de termos de nos “negar a nós mesmos” e “carregar a nossa cruz diariamente” é uma tolice; uma distorção do caráter da verdadeira e pura religião.

Afinal, temos de entender que “negar a nós mesmos” é um privilegio da graça, pois ao fazermos assim, negamos nossa natureza corrupta e pecaminosa; quando “carregamos nossa cruz”, que é instrumento de morte, na verdade, estamos declarando que morremos para nós mesmos e para o mundo e vivemos em Cristo, “crucificando-nos a nós mesmos para o mundo e o mundo para nós”.

As Escrituras estão repletas de ensinamentos que revelam-nos que a natureza da verdadeira alegria e felicidade plena, não está na ausência de sofrimentos ou dores, mas sim em estar na presença do Senhor e de meditar em sua Palavra.

Aliás, a prova de nossa alegria no Senhor vem de nossas lutas e provações (Tg. 1.2), pois desenvolve nossa fé; a resignação de nossos pais na fé (Elias, Davi, Jó, Paulo, etc) são incontestes evidências de que acolhiam com alegria e contentamento a providência de Deus em suas vidas; não que eles não tenham sentido a agudez dos sofrimentos e tristezas na carne; eles não se alegravam nas aflições em si mesmas, mas na capacidade de suportá-las que o Senhor lhes outorgava. Confiar na providência e apegar-se à sua Palavra arrefecia sua miséria e intensificava seu deleite nele.

Vejamos as seguintes passagens:

Salmo 40.8: “Agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro em meu coração está a tua lei”;
Salmo 119.47: “Terei prazer nos teus mandamentos, os quais eu amo”.
Romanos 7.22: “Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus”;
I Pedro 1.8: “… a quem, não havendo visto, amais. No qual, não vendo agora, mas crendo, exultais com alegria indizível e cheia de glória”;

Tributar amor a Deus pelo que ele é, em si mesmo, já seria suficiente para nosso deleite eterno; ele, no entanto, concede-nos amá-lo e alegrarmo-nos nele pelo que ele é e pelo que ele está fazendo! As manifestações de suas glórias, tanto no céus como na terra, trazem perene deleite à sua Igreja, tanto aquela que triunfa como a que ainda milita.

Se, portanto, amaramos a Deus de todo o nosso coração, de toda nossa alma, com toda nossa força e entendimento, e, amarmos assim a sua santa, pura e perfeita Palavra, haveremos de experimentar tamanha alegria, que nem se pode mensurar, independente das circunstâncias.

É isto que o salmista está dizendo! Se nos agradamos de Deus (e tudo que esta sentença infere), haveremos de ter plena alegria nele. Nosso caminho será dele e o mais ele fará. Não precisamos nos preocupar com a injustiça à nossa volta, nem aquelas que contra nós é dirigida. Nossa atenção está voltada para ele, para ele somente.

Conhecer ao Senhor e amá-lo; amar a suas obras – que são a manifestação de sua sabedoria, bondade, poder ; amar a sua Palavra, isto é agradar-se do Senhor.

E, quanto mais nos “agradamos” do Senhor, tanto mais ele será o maior desejo do nosso coração!

O cumprir a Lei de Deus – satisfazer a sua vontade – será o desejo maior de nosso coração! A promessa consiste justamente em Deus nos fortalecer e colocar de lado nossos desejos ensimesmados, e nosso desejo passa ser o de obedecê-lo; de viver vidas santas e agradáveis a ele; nos conformarmos à sua estatura e imagem. Assim, o próprio Deus se compromete a realizar tais desejos, pois são para sua glória.

O Senhor Jesus Cristo, quando encarnou-se e viveu como homem, nutria em seu coração o desejo de glorificar ao Pai, e o Pai satisfez o desejo de seu coração (Jo 12.50; 17.4,5,24).

Qual é o desejo de nosso coração ?

Cristo – Deus verdadeiro e homem verdadeiro – deu-nos sua vida na cruz do Calvário para que pudéssemos ter vida nele. À parte de Cristo, Deus nos seria por adversário e as Escrituras ecoariam condenação, mas nele, somos feitos filhos de Deus. Sua obra redentora concede-nos acesso ao Pai e é somente em Cristo que poderemos nos agradar do Senhor, e somente em Cristo que os desejos de nosso coração serão satisfeitos.

Nossa alegria consiste em estar em e conhecer a Cristo e ter comunhão com ele. Será este o seu caso ? Você está alegre no Senhor ? Você se agrada no Senhor ? Qual o desejo do seu coração ? Será um desejo que você pode entregar nas mãos do Senhor para que sejam satisfeitos ?

Ó, que a bondade de Deus, em conceder-nos Cristo para que nele busquemos sua face, o conheçamos e dele nos agrademos, conceda-nos a graça de que o desejo de nosso coração seja a sua glória.

Esta é uma promessa que se cumprirá cabalmente naqueles que forem achados fieis no Senhor e dele se agradarem.

Amém.

Editora Fiel – Artigo: Alegria.

Alerta contra erros / iPródigo

•12/04/2012 • Deixe um comentário

por John MacArthur Jr.

 

Por que muitos evangélicos agem como se os falsos mestres na igreja nunca pudessem ser um problema sério nesta geração? Muitos parecem estar convencidos de que “rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu” (Apocalipse 3.17).

 

Na verdade, a igreja hoje é possivelmente mais suscetível aos falsos mestres, aos sabotadores doutrinários, e ao terrorismo espiritual que qualquer outra geração na história da igreja. A ignorância bíblica dentro da igreja parece ser mais profunda e mais espalhada que em qualquer outra época desde a Reforma Protestante. Se você duvida, compare o sermão típico de hoje com um sermão aleatoriamente escolhido de qualquer grande pregador evangélico anterior a 1850. Também compare a literatura cristã de hoje com quase tudo publicado por editoras evangélicas há cem anos ou mais.

 

O ensino bíblico, mesmo nos melhores lugares hoje, tem sido deliberadamente facilitado, feito tão vago e raso quanto for possível, supersimplificado, adaptado ao mínimo denominador comum – e então formatado para criar apelo em pessoas com déficit de atenção.

 

Os sermões são quase sempre breves, simplistas, cobertos de referências à cultura pop o quanto for possível, saturados com anedotas e ilustrações. (Piadas e histórias engraçadas retiradas de experiência pessoal têm vantagem em relação a referências e analogias retiradas da própria Escritura). Os tópicos típicos de sermão são grandemente ajustados para favorecer questões antropocêntricas (como relações pessoais, vida de sucesso, autoestima, listas de como fazer, e por aí vai) – até a exclusão de muitos dos temas doutrinários da Escritura que exaltam a Cristo. Em outras palavras, o que muitos pregadores contemporâneos fazem é virtualmente o oposto do que Paulo descreveu quando disse que nunca deixou de “anunciar todo o conselho de Deus” (Atos 20.27).

 

Não apenas isso, mas aqui está como Paulo explicou sua abordagem  como ministro do Evangelho, mesmo entre os pagãos incrédulos da mais libertina cultura romana:

 

wolf_in_sheeps_clothingE eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria. Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor. A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus. (1 Coríntios 2.1-5)

 

Note que Paulo deliberadamente se recusou a adaptar sua mensagem ou ajustar seu anúncio para se encaixar no padrão filosófico ou gostos culturais dos coríntios. Quando ele diz mais tarde na epístola, “e fiz-me como judeu para os judeus, para ganhar os judeus… Para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei … Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns” (1 Coríntios 9.20-22), ele estava descrevendo como se fez um servo de todos (v.19) e um companheiro daqueles a quem tentava alcançar. Em outras palavras, ele evitou se fazer uma pedra de tropeço. Ele não estava dizendo que adaptou a mensagem do Evangelho (que ele claramente disse que é uma pedra de tropeço – 1.23). Ele não adaptou os métodos para ser agradável aos gostos de uma cultura mundana.

 

Paulo não pensava em satisfazer as preferências de uma geração em particular, ele não usou qualquer artifício para ganhar atenção. Qualquer que seja o antônimo que você possa pensar para a palavra showman, esse provavelmente seria uma bela descrição do estilo do ministério público de Paulo. Ele queria deixar claro a todos (incluindo aos próprios convertidos de Corinto) que vidas e corações são renovados por meio da Palavra de Deus, e nada mais. Desta forma, eles começariam a entender e apreciar o poder da mensagem do Evangelho.

 

Traduzido por Josaías Jr | iPródigo – texto original

iPródigo | Alerta contra erros.

Recuperando o Evangelho de sua humilhação / iPródigo

•28/02/2012 • Deixe um comentário
Por Ray Ortlund

Por Ray Ortlund

Uma onda de avivamento autêntico passa sobre a igreja quando três coisas acontecem juntas: o ensino das grandes verdades do Evangelho com clareza, a aplicação com poder espiritual dessas verdades à vida das pessoas, e a extensão dessa experiência a um grande número de pessoas. Nós, evangélicos, precisamos urgentemente de um avivamento assim hoje. Precisamos recuperar o Evangelho.

Imagine a igreja evangélica sem o Evangelho. Eu sei que isso não faz sentido, afinal os evangélicos são definidos pelo Evangelho. Mas tente imaginar isso por um momento. Com o que nosso evangelicalismo, sem o Evangelho, talvez parecesse? Teríamos de substituir a centralidade do Evangelho com outra coisa, naturalmente. Então, o que poderia tomar o lugar do Evangelho em nossos sermões, livros, áudios, EBDs, estudos de pequenos grupos e, acima de tudo, em nossos corações?

Um monte de coisas, possivelmente. Uma absorção introspectiva na recuperação de traumas emocionais, por exemplo. Ou uma devoção apaixonada pela causa pró-vida. Ou uma manipulação confiante das modernas técnicas de administração. Ou um direcionamento para o crescimento e “sucesso” da igreja. Ou uma preocupação profunda com a instituição da família. Ou uma fascinação pelos dons do Espírito mais incomuns. Ou um apelo engenhoso ao consumismo ao se oferecer certo tipo de Cristianismo Light, com sacrifício zero. Ou um simpático, empático e adocicado cultivo das relações interpessoais. Ou a determinação de trazer o país de volta a suas raízes cristãs por meio do poder político. Ou uma calorosa afirmação de autoestima. O movimento evangélico, privado do Evangelho, talvez se concentrasse em uma ou muitas dessas preocupações a fim de definir-se e tirar energia para sua missão. Em outras palavras, os evangélicos poderiam marginalizar, ou mesmo perder, o Evangelho e ainda continuar seu caminho, talvez sem perceber sua perda.

Evangelicalismo sem evangelho

Evangélicos sem evangelho

Mas isso não apenas é possível: está realmente acontecendo entre nós neste momento. Indiferente ao que alguém possa pensar das várias preocupações listadas acima como alternativas à centralidade do Evangelho – e alguns desses assuntos possuem validade genuína, e mesmo urgente, em especial a família – nenhuma delas é central à nossa fé. Nenhuma delas é o Evangelho ou é digna de empurrar o Evangelho para a periferia de nossa mensagem, nossos planos e nossas afeições. O Evangelho de nosso bendito Senhor Jesus Cristo está sofrendo hoje humilhação entre nós, evangélicos, por nossa evidente negligência a ele.

Quando pensamos sobre o Evangelho, podemos ter o sentimento de “nós já sabemos disso, ok”. Presumimos o Evangelho como garantido. Assumimos que as pessoas da nossa igreja conhecem o Evangelho, e estamos ansiosos em mudar para assuntos mais “relevantes” e “práticos”. O Evangelho está sendo colocado de lado em nossos corações e mentes em favor de uma ampla variedade de questões, tão variadas quanto a fragmentação do evangelicalismo, ao mesmo tempo em que o coração e a alma de nossa fé caem em obscuridade através da negligência. Os mistérios sagrados da encarnação, cruz, ressurreição, ascensão e do reino celestial do nosso Senhor, os grandes temas da eleição, propiciação, justificação e santificação, o poder e o engano do pecado, o significado da fé e arrependimento, nossa união com nosso Senhor crucificado, sepultado e ressuscitado, o valor infinitamente superior de nossa recompensa celestial em comparação ao que essa vida tem a oferecer (incluindo a vida cristã), o julgamento final e a eternidade – esses temas gloriosos que repousam no centro de nossa fé, que fizeram a igreja grande em seus grandes momentos do passado, e que podem fazer o mesmo para nós hoje, se os recuperarmos e trabalharmos neles confiante, piedosa e biblicamente – esses tesouros infinitamente preciosos estão sendo evitados em favor de questões legítimas, mas secundárias. Nós devemos guardar a centralidade do que é central.

Nós não deveríamos pensar: “bem, é claro que temos o Evangelho. A Reforma o recuperou para nós”. Essa complacência nos custará caro. Toda geração de cristãos deve reaprender como novas as verdades básicas da nossa fé. A igreja está sempre a uma geração de distância da ignorância total do Evangelho, e hoje estamos fazendo um progresso rápido em direção a este objetivo catastrófico. Ao invés de relaxadamente presumir o Evangelho, devemos agressiva, deliberada, completa e apaixonadamente ensinar e pregar o Evangelho. Todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão em Cristo. Se não procurarmos intencionalmente esses tesouros, nós os perderemos.

1101060918_400Líderes e pastores, em particular, estão hoje sob enorme pressão para satisfazer às demandas imediatas do mercado à custa do Evangelho. As pessoas querem o que elas querem quando querem, ou então elas dirigirão até a Rua da Primeira Igreja de Onde-as-Coisas-Acontecem para conseguir o que desejam. Nós líderes estamos perdendo nossa coragem? Começamos a sentir que o Evangelho satisfaz as necessidades das pessoas de maneira menos convincente ou menos proveitosa? Estamos constantemente oferecendo às pessoas “Cinco Passos para (alguma coisa)” em resposta aos problemas delas. Mas não está funcionando. Para nossa vergonha, nós cristãos somos moralmente iguais ao mundo. Por quê? Uma razão é que pensamos em pequenos passos, e nossas vidas demonstram isso. Não percebemos a realidade da perspectiva de Deus. Percebemos a realidade da perspectiva de nossa cultura ímpia, e então tentamos enfiar um princípio bíblico na superfície de nossa profunda confusão. Consequentemente, muito pouco realmente muda. O que realmente precisamos não é sermos mimados, mas sermos reeducados a respeito da realidade, como ela deve ser interpretada a nós pelo Evangelho. Precisamos saber quem Deus realmente é. Precisamos descobrir quem realmente somos. Precisamos entender qual é realmente a raiz do nosso problema e qual é realmente a resposta misericordiosa de Deus a isso. E precisamos que essa nova percepção da realidade permeie profundamente nossas afeições e desejos, nos reorientando radical e alegremente a uma maneira de viver totalmente nova. Mas, se realmente sentimos que o simples e antigo Evangelho oferece muito pouco às necessidades reais das pessoas, então, no final das contas, nós realmente não o conhecemos.

7 chaves para o sucesso

“Sete chaves”

Hoje, nós evangélicos estamos sofrendo uma derrota massiva, brilhantemente disfarçada de sucesso massivo. Registrou-se que 74% dos norte-americanos com 18 anos ou mais dizem que fizeram um compromisso com Jesus Cristo, de acordo com uma pesquisa Gallup. Isso poderia sugerir um alto grau de eficácia em nosso testemunho. Mas, ao mesmo tempo – como se precisássemos de verificação disso – uma pesquisa da Roper Organization mostra pouca diferença entre a conduta moral de cristãos “nascidos de novo” antes e depois de sua conversão. Se estivermos debaixo do encanto das pesquisas de opinião ao invés das obrigações do Evangelho, que lugar há para a porta estreita e o caminho apertado? Mesmo que nossas igrejas aproveitem uma medida de sucesso exterior, continuamos sendo influenciados, não influentes, enquanto mudarmos nosso fundamento dos caminhos de Deus para os caminhos do homem, da verdade bíblica ungida pelo Espírito para as habilidades e novidades humanas. Operando de maneira antropocêntrica ao invés de teocêntrica, nossas igrejas não necessariamente falharão. Elas mantêm uma boa chance de sucesso como qualquer outra franquia. Algumas talvez se tornem populares – mas populares como o quê? Como passatempo religioso, ou como uma força para Deus?

O que você está fazendo,ó cidade devastada?
Por que se veste de vermelho
e se enfeita com jóias de ouro?
Por que você pinta os olhos?
Você se embeleza em vão,
pois os seus amantes a desprezam e querem tirar-lhe a vida.

(Jeremias 4.30)

Ó devastado evangelicalismo, por que você zela pela moda e busca incansavelmente pela sempre nova “relevância”? Por que você é tão inseguro que anseia pelo reconhecimento favorável do mundo? Eles desprezam tudo que você guarda como precioso! “Tornei-me tudo para com todos” não é licença para satisfazer os caprichos do consumidor. Somente Cristo é Senhor. Ou você se esqueceu de sua majestade? E porque você está tão orgulhosa de seus números e dólares? Quão pobre você realmente é! Volte para o Evangelho. Volte para a fonte de verdadeira alegria, vida e poder. Santifiquem a Cristo novamente como Senhor em seus corações. Acorde! Fortaleça o remanescente, pois está a ponto de morrer. Mas se você não retornar à centralidade do Evangelho como poder de Deus para a igreja hoje, então que razão seu Senhor tem para não te abandonar completamente?

Traduzido por Josaías Jr | iPródigo

iPródigo | Recuperando o Evangelho de sua humilhação.

 
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